Via – oestadão.com.br
Desde que o condomínio onde é síndico foi entregue, dez anos atrás, a operação da portaria tem sido vista como um problema pelos moradores. Além de haver um degrau entre a calçada e a entrada da portaria, após passar pelo portão de pedestres o condômino ou visitante terá de subir dois lances de escadas para chegar ao térreo. “Ou seja, nosso prédio não permite a entrada de um cadeirante pela portaria. Temos uma moradora nessa condição que acessa o condomínio pelo portão da garagem, dividindo espaço com os carros, e em uma rampa sem a inclinação adequada”, conta o síndico.
Além do acesso limitado para quem tem algum tipo de deficiência, Stutz diz também que a guarita da portaria é muito pequena. “O porteiro tem de trabalhar com a porta aberta, o que é um problema para a segurança. O espaço também não é suficiente para comportar os monitores do sistema de câmeras “, completa o síndico. Para resolver o problema o condomínio irá realizar uma grande obra que irá consumir cerca de R$ 100 mil.
Problemas como o relatado por Stutz ocorrem quando o projeto elaborado pela incorporadora não leva em conta as necessidades de uso após a implantação, diz o diretor da Paris condomínios, José Roberto Iampolsky. “São projetos feitos para ficar bonitos no plantão de vendas, mas que depois apresentam algumas falhas que chegam a ser grosseiras”, afirma ele.
O diretor da administradora Manager, Marcelo Mattuk, faz coro com Iampolsky. “Com o intuito de preencher o terreno e criar atrativos para um público diversificado, as incorporadoras acabam colocando tudo que cabe naquele espaço e às vezes esquecem do que é necessário. “
Entre as falhas citadas pelos especialistas estão portarias mal posicionadas, que não permitem, por exemplo que o porteiro enxergue quem passa pela calçada e a entrada da garagem.
“Nem sempre é possível resolver essa situação com uma reforma e a solução vem com a implantação de um sistema de câmeras ou com a contratação de vigias, o que onera o condomínio e pode tornar a taxa mensal mais alta”, diz Iampolsky.
“Na cidade de São Paulo é mais difícil de ocorrer, por conta da legislação, mas em outras regiões, como na Baixada Santista, por exemplo, é possível encontrar condomínios que não têm banheiro na guarita da portaria, o que obriga o porteiro a deixar o posto por mais tempo”, afirma o diretor do Grupo Artrax, João Luiz Anunciato, ainda falando das portarias.
Algumas dessas falhas são passíveis de ser corrigidas com obras, como foi o caso do condomínio onde Luiz Matoni é síndico. No prédio, não havia até pouco tempo um local apropriado para os funcionários fazerem suas refeições. A solução, conta o síndico, foi transformar um antigo depósito em refeitório, equipado com geladeira, fogão e forno de micro-ondas.
Para Matoni, em prédios mais antigos, como é o seu caso (o condomínio foi entregue na década de 1960) é aceitável que haja, ao longo do tempo, alterações no uso que tornem a arquitetura do local obsoleta. “Temos dois andares de depósitos que estamos planejando em desmontar para transformar em mais vagas de garagem, pois hoje é comum haver mais de um carro por apartamento, ao contrário de antigamente”, diz. Entretanto, o síndico destaca que o conforto dos trabalhadores não é uma questão apenas atual para ter sido ignorada quando o prédio foi projetado.
“Há porém falhas insolúveis, como vagas de garagem mal dimensionas, infiltrações, são problemas que se não tiverem sido pensados antes da construção, vão se tornar dor de cabeça pelos próximos 50 anos”, diz Mattuk.
Fonte: http://blogs.estadao.com.br/radar-imobiliario/falhas-de-projeto-dificultam-operacao-depois-da-entrega/
